Numa crónica recente publicada no Público, Rogério Casanova aborda a prática da leitura sob uma perspetiva irónica e pragmática. O autor confessa ter defendido o incentivo à leitura em grande escala baseando-se num argumento que considerava inquestionável: o facto de os leitores dedicarem longos períodos de tempo em silêncio e tranquilidade. Segundo a sua visão, o hábito de ler funcionaria como um mecanismo eficaz para manter os indivíduos sossegados, evitando que perturbassem o ambiente envolvente. Esta reflexão, apresentada com um tom provocatório, questiona as motivações subjacentes à promoção cultural e ao comportamento social, sugerindo que a valorização da leitura pode estar ligada a uma conveniência de ordem pública mais do que a um propósito intelectual elevado.
Source : Público
